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“Desejo morrer sorrindo” -, revelou-me um paciente há alguns anos, quando lhe perguntei sobre seu projeto de vida. À época contava 80 anos, idoso robusto, lúcido, independente. No outono-inverno de uma vida frutífera e próspera, desejava fazer as pazes com a morte, integrando-a de maneira natural ao seu caminhar terreno.
Em quase quatro décadas de profissão encontrei raras pessoas com tal consciência da vida.
Penso que todos nós deveríamos de vez em quando fazer o exercício de retirar a ideia da morte da estante sombria dos tabus e imaginar a sua visita a nos rondar a existência, ponderando nossas reações, medos, anseios e crenças.
Se pudéssemos escrever o próprio epitáfio, o que destacaríamos?
Se ganhássemos uma moratória, faríamos mudanças na vida que passa?
Refletir sobre a finitude e a transitoriedade pode aprimorar nosso entendimento da Vida.
Meu paciente está perto dos 90 anos. Um pouco mais frágil, mas cada vez mais liberto.

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