O símbolo do Yin-Yang (Taichi) há muito me impressiona, mesmo antes de conhecê-lo melhor. Penso tratar-se de um símbolo arquétipo.
Ele representa, segundo a sabedoria chinesa ancestral, os dois polos de forças opostas e complementares presentes na Natureza. Yin, o lado oculto e escuro da montanha; Yang, o lado conhecido e iluminado. Ou ainda, a lua e o sol, a noite e o dia, o feminino e o masculino, o secreto e o óbvio, molhado e seco, frio e quente, água e fogo, passivo e ativo etc..
Em seu formato circular, gira em movimento constante, em transformação permanente. Comporta-se como roda ou esfera. Ou seja, a composição dinâmica das forças vivas que o compõe revela a energia resultante em determinado contexto de tempo, espaço e estado de espírito, individual e coletivamente.
O estado ideal desta composição é o equilíbrio harmônico, ainda raro em nosso planeta. Buda postulava a escolha pelo Caminho do Meio, o caminho da conjunção dos opostos em prol da totalidade do Ser, proposta muito semelhante à de Carl Jung.
Juntos, síncronos, equilibrados e em interação dinâmica com o ambiente circunstante estes polos conformam o Um, o Tao.

E mais: os dois polos do Taichi assemelham-se a dois peixes sobrepostos, nadando em sentidos opostos, como na representação zodiacal do signo de peixes. Nem luz excessiva, nem treva demasiada. Interessa o bom termo, o da harmonia, o da composição, sem a ilusão cartesiana da dominação e da preponderância.
Por mais alta e frondosa esteja a copa de uma árvore, ela deverá ainda e sempre sua vida e sua subsistência às suas raízes fincadas no solo.
Símbolos arquétipos são imagens que habitam o inconsciente coletivo ou pessoal e podem ser mais ou menos antigos. Representações subconscientes são acionadas ou despertadas pelo contato dos sentidos e nos impressionam em um nível intuitivo, não lógico, sem explicação pronta ou fácil. Podem ser desenhos, figuras, objetos, quadros, esculturas, gravuras, fotos e, por vezes, sons e cheiros.

“Carl Jung não estudou o Taichi diretamente como uma prática específica, mas a psicologia junguiana e o Taichi compartilham semelhanças em seus conceitos e objetivos. O Taichi, com sua ênfase no equilíbrio entre Yin e Yang e na harmonia entre corpo e mente, ressoa com a ideia junguiana de individuação e a busca pela totalidade da personalidade. A prática do Taichi pode ser vista como uma forma de explorar o inconsciente coletivo e integrar as polaridades da psique, temas centrais na psicologia de Jung”
O Taichi e a conjunção para a transcendência
Gosto de imaginar o corpo humano como o primeiro templo do espírito. A ideia de templo me leva a uma construção rústica e simples, como o de Hackfall Woods, na Inglaterra.
Se corpos são templos, muito podemos depreender observando-nos, a nós mesmos e uns aos outros. São construções sagradas, multimilenares, fiadas pela engenharia divina a serviço da alma.
Seu corpo é um templo de luz e sombra, belo como a lua coada pelas copas das árvores, iluminando a noite dos tempos. Estou vivendo a integração com a anima, nessa conjunção sagrada de energias sexuais arquetípicas, primordiais.
Nossas vidas egoicas seguem, de certo modo, o seu curso cármico, sob o controle do senso comum. O que há de novo, porém? Integramo-nos pelo Self, pelo Eu superior, pelas energias profundas da alma, em prol do Dharma. Eis o Yin-Yang, o Taichi, a conjunção indispensável para a transcendência.




