
O dinheiro manda no mundo? Penso que sim, no aspecto material e temporal do poder. O Ter predomina no mundo contemporâneo como “algo que move as motivações e os desejos da maioria”. Romantismos à parte, os interesses pela aparência (estética e social), por regalias, vantagens e privilégios, historicamente, sempre alimentaram o ego humano e o espírito de castas, suplantando com folga os interesses relativos às virtudes reais da alma.
Porém, convém entender essa relação Ter e Ser como um espectro, um gradiente dinâmico e interativo de um mesmo todo. Às vezes Ter facilita Ser e Ser facilita Ter. Depende da visão de mundo de cada pessoa e coletividade, coisa que se aprimora com o tempo.
Para a natureza humana ainda infantilizada, no sentido espiritual, ter coisas e ocupar cargos importantes conferem poder e dão status social e segurança, dificultando o necessário desapego para que a alma se expanda e se liberte. Haja vista a parábola do moço rico.
Em uma situação de equilíbrio e discernimento, Ter e Ser não são necessariamente contraditórios e excludentes. Não há necessidade de a tudo polarizarmos.
Caminhamos para um estado menos materialista e mais feliz, sem utopias no curto prazo. Conheço muitas pessoas bem sucedidas, inteligentes e generosas.



