Angústia Existencial

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Um homem está diante de uma porta entreaberta. Não há ninguém ao redor. Não há perigo visível. Do outro lado, nada se vê com clareza — apenas uma luz suave, silenciosa, que não impõe nem promete.

Ele sabe, de algum modo inexplicável, que pode atravessar. E também sabe que não é obrigado a fazê-lo.

Atrás de si, está sua casa: sólida, organizada, cheia de objetos familiares. Tudo ali tem nome, função e história. Nada o ameaça. Nada o chama!

Ainda assim, ele não consegue voltar para dentro como antes. Tampouco dá conta de atravessar de vez a porta diante dele.

Não há monstros, tempestades, ameaças ou tragédias. Nasce um conflito sutil e profundamente humano: a tensão entre o conhecido e o possível. Permanece o Ser ali, algo paralisado, entre o dentro e o fora, o agora e o arremedo, sentindo algo que não é medo — pois não há perigo! —, mas também não é paz, pois não há sossego!

Uma vertigem surda o invade: sua vida não está determinada nem definida. Ele pode escolher. E ao escolher, não perderá apenas o que deixa para trás: perderá também aquele que era antes de escolher.

A travessia, então, só pode nascer da liberdade. Sem recompensa prometida.
Sem castigo nem prêmio anunciado. Sem testemunhas.

A porta não se move. A luz não se intensifica. Nenhuma voz o orienta. Mas o tempo, silenciosamente, passa. E quanto mais ele ali permanece, mais cresce nele a estranha consciência de que a decisão já o transformou — mesmo sem ter sido tomada!

A vida de cada Ser é um Caminho para o Si Mesmo! Entre a história pessoal (nem sempre acessível), a biografia conhecida e o destino que ele intui!

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Essa é a angústia em Kierkegaard: não se tem medo de algo concreto, mas do abismo das possibilidades. A vertigem da liberdade possível, ao alcance da mão e do querer, a mesma que revela que nada externo pode decidir por você! O instante mágico e crítico em que o Ser percebe que está diante de si mesmo, sem garantias, sem evasivas e sem transferências, e que pode e necessita dar um salto, desvencilhando-se dos padrões costumeiros, salto esse que ninguém pode dar em seu lugar. A partir deste momento, ele jamais será o mesmo!

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