
A matemática divina é cósmica. A Vida é dadivosa. Ela nos devolve muito mais do que lhe damos. Na proporção de 100 para 1. Ou mais. Porque Deus nos conhece as imperfeições e vacilos e sempre nos renova as oportunidades.
A ideia preconcebida de que a Vida nos devolve exatamente aquilo que lhe damos é uma distorção atávica da pena de Talião, algo vingativa e demasiado humana, utilizada para submeter, coagir, punir, chantagear.
Jesus veio quebrar o paradigma do olho por olho, dente por dente. Amplificou (e revolucionou) a lógica babilônica de Hamurabi, instaurando e personificando a variável do Amor.
De todos os sábios e santos que conheço, somente Ele a trouxe.
Apesar de ainda improvável, o Amor sempre será possível como uma opção enriquecedora e determinante para o ego humano personalista, ainda bastante dominado pelos componentes narcisista e hedonista.
Na passagem evangélica do moço rico, compilada no The Chosen1 na cena em que o grão rabino fariseu Nicodemos, chamado pessoalmente pelo Mestre, escolhe prosseguir com sua vida convencional e conveniente, Jesus demonstra conhecer profundamente a dicotomia da alma humana, capaz de pressentir a era do espírito, vivendo nos refolhos do ser o drama da escolha, mas ainda incapaz de transcender (“deixar ir”) definitivamente o homem velho.
Esse Nicodemos, contudo, ou a figura emblemática do “moço rico”, jamais seria o mesmo. Uma vez tocado pelo Amor e pelo Espírito, pelo chamado inesquecível e poderoso do Mestre, impossível retornar ao estado egoico original de indiferença e prepotência.
No Caminho pessoal de Damasco, muitos gastaremos séculos e séculos de encarnações na retórica de conflitos e de procrastinações, no burilamento indelegável da própria personalidade.
“Saulo, Saulo, por que recalcitras??”
- Episódio 8 da Temporada 1 ↩︎



