
Centenas de portas, trincos, trancas,
paredes, armários, mesas, máquinas,
crenças, cismas, prantos, turbilhões de
átomos, bósons, bites, espaços e
sombras nos separam.
Parecemos juntos e estamos sós.
Parecemos outros negando a nós.
Negando a nós o direito de estarmos
juntos, estando a sós.
Negando a sós o jeito de desatar os
nós de nós outros, todos sós.
É assim que, parecendo sós, estamos
juntos, cativos no silêncio que nos une e
nos pune pela distância de tais portas,
trincos, trancas, paredes, bites…




Achei muito profunda a frase: “cativos no silêncio que nos une “ . Creio que realmente o ser humano em geral se sente assim nos dias atuais.