
Morava em sua árvore o macaco Moffasa. Não era o alfa, nem o beta. Talvez o teta. Julieta, sua dama, não o queria em sua cama para Romeu. Sua fama ia mal. A sua alma, o boi bebeu. Jamal, o ímpio, lhe acossava sempre. A malta dos símios nobres, ancestral, fazia-lhe sombra demais. O que era mau. Sonhava ser ideal, capaz como jamais. Jamais como Jamal, aquele inverossímil capataz, um beta meia-boca, cheio da conversa fiada. A ele, porém, não enganava em nada. Sabia-lhe das embromadas secretas, das tretas, das trevas. Tomava-lhe, por despeito, as alfombras das copas mais altas, feito caprichosa sombra em mata sem lua. Quando via, já era! – lá se achava a peça, estirada na pua. Ocupava-lhe a hera crua e alheia como se ele mesmo fosse. Que acinte! E tudo às escuras, quatro mais vinte, sem ventura, puro interesse! Vivia o tal Jamal como se alfa estivesse. Pobre criatura! Vivia da pose e da usura. E da posse de quem fosse. Fosse talvez um pobre diabo, esse capeta enfastiado achou um teta para fazer de escravo. Ou refém. Refém da imagem de alguém. Também, pudera! Ser quem era, era como não ser amado por ninguém. Orgulho ferido, talvez! Mergulho na ferida, sem compaixão. Queria ser maior do que podia. De dia, o beta; à noite, o teta; na bruma, o alfa. Afa!! Nenhuma réstia de luz lhe sobrava, nem a falsa modéstia, sequer uma moita de alfafa. Moffasa, vasado pela ira, corria como o beta que não era da copa para o tronco e do tronco para a copa feito o louco que ele era. Ia e vinha em algaravia. Via sem ver, ouvia sem ouvir, havia sem haver. De novo um eu rejeitado? Ó Julieta, sereis minha de fato? Perfeito? Mal feito? Onde me encontro contigo? E comigo? Fariseu inimigo, na copa da copa era delta, duplo, triplo, tudo ou nada, a esmo, tudo por um momento, nada para sempre… –Jamal, desperta!, eu suplico!! Tome alento, ó mico de si mesmo!!
Distante da copa, do jogo de cena, junto ao tronco, Moffasa era porém quem era, donde viera Avicena, Ibn Sina, seiva e floema, o mito fincado às ervas, ao junco, no lamento primal e, como tal – lamento pelo dilema, ó ego cego, cético de antemão –, havia lá Huang-Lao, o Tao, o cerne, um tipo estranho num rito extremo, o Verne de Si, único, postremo serafim, trágico d’outrora, distante mas próximo do mago d’agora. O celta Merlin. Era todos e não era não, era o sim, do alfa ao ômega, do zero ao onze, do bronze ao ouro, era quem podia ser. Era Quem. Uma alma apenas, um ser à pena de estar um macaco pagão, potencial e louco. E bom! Essencialmente bom. Desde muitas eras já o era… Porque sabia (e sabe) o que cabe em cada estrofe, em todo som, no ritmo divino das noites e dos dias e em cada verso dessa messe, ó Messias… O Amor é a mais poderosa força que se conhece!!
Longe de casa Moffasa bateu asas…




Bom dia!
Sempre gostei muito de seus textos. É de muito aprendizado pra mim.
Que bom que agora o Sr tem um blog.
Grata
Bom dia!
Sempre gostei de seus textos.
É de muito aprendizado pra mim.
Obrigada!
Olá Maria Teresa, me perdoe a demora em responder. Quantas conversas sobre a problemática do viver já tivemos não é!
Espero que você esteja bem! Participe comigo deste blog! Fique a vontade para contribuir, opinar e divulgar!!
Abraço!!