O sentido do Peixe

O peixe tem amplo sentido simbólico.

Destaco aqui 4 aspectos para compor a linha mestra deste espaço (blog). Ou seja, a maioria dos textos, conceitos e ideias aqui postados leva em conta esta quadra simbólica.

O primeiro, o significado astrológico, o signo de peixes, o décimo segundo e último signo do Zodíaco, o que promove a reentrada no ciclo sempre vivo do Ouroboros, ou seja, aquele que faz a ponte e dá sentido de continuidade aos ciclos universais.

O segundo, a conjunção dos opostos, conforme a proposta de Carl Jung para a transcendência e a totalidade possível ao ser, conciliando os extremos em prol da Unidade, como vemos também no símbolo do Taichi, a conjunção dinâmica dos polos Yang e Yin.

O terceiro, a noção amplificada de flow – a água em movimento, habitat natural do peixe, em seu fluxo natural e poderoso da nascente à foz, do leito terreno ao céu infinito.

E o quarto, o Ichthys, o desenho do peixe incrustado na pedra como símbolo dos primeiros seguidores de Jesus, ainda sem os viéses das doutrinas seculares que lhe sobrevieram, e que puderam absorver em espírito e verdade o sentido profundo de seus ensinamentos.

O símbolo de peixes e a conjunção dos opostos
Símbolo astrológico do signo de peixes

Flow: FLUIR e DEIXAR FLUIR , deixar-se imerso, confiante e reverente, no fluxo providencial do pensamento divino, com o poder da água em correnteza que simultaneamente supera (Yang) e se adapta (Yin) aos entraves e obstáculos em seu trajeto.

Correntes maritimas

O PEIXE EM SEU FLUXO SAGRADO

– O HIEROFLOW –

Spiral

Dinâmica espiritual da evolução da consciência (adaptada do modelo de Ken Wilber):

1. Arcaica

2. Tribal

3. Bélica (ou feudal)

4. Tradicional

5. Moderna

6. Pós Moderna

7. Integral (espiritual)

8. Pós-Integral (Cósmica)

Sou dos que pensam a evolução em seu sentido amplo – incluindo o anímico – como uma espiral ascendente e infinita. A evolução da alma ou princípio inteligente na Terra acompanha a evolução das formas físicas, desde as células ameboides e algas até o indivíduo humano de inteligência e sentimento mais aprimorados. Há um aforismo de que gosto que diz: a alma dorme no mineral, sonha no vegetal, desperta no animal, torna-se consciente e se expande no hominal.

A “consciência de si mesmo” e a “consciência do mundo”, ou cosmovisão, portanto, se desenvolvem e expandem aos poucos, a partir do reino hominal, ao sabor dos milênios e dos esforços coletivos e individuais — como propõe o gráfico acima, baseado no modelo de Ken Wilber, um dos fundadores da psicologia transpessoal.

TRANSCENDÊNCIA E EXPANSÃO DA CONSCIÊNCIA

A partir destes conceitos iniciais convido você a pensar comigo esta viagem que cada um de nós percorre — sim, estamos ainda em curso e relativamente distantes de nossa totalidade –, e que nos desafia a descobrir verdadeiramente quem somos e de que modo podemos compreender melhor o propósito de existirmos.

A Lei do Dharma (em sânscrito, propósito) tem três componentes. O primeiro e determinante, sem o qual os demais não se realizam, é (1) desvelar e empoderar o verdadeiro eu, o Eu Superior, o Self de Carl Jung. E para isto será necessário transcender o ego persona. O segundo e o terceiro componentes da Lei do Dharma são inextrincavelmente entrelaçados: (2) expressar os dons e talentos que já possuímos e (3) compartilhá-los para o bem de todos e para a própria felicidade.

Para cumprir tal propósito cada ser traz consigo virtudes já conquistadas e potencialidades a serem desenvolvidas e manifestas, que se tornam “desafios existenciais”. E para isto necessitamos olhar para dentro, sentir o que se passa, as intuições, ouvir a voz interior, perceber vocações e tendências, enquanto atuamos no mundo, sem nos tornarmos reféns subconscientes de dogmas, tendências, lugares comuns, modismos, expectativas externas etc..

Esta viagem individual do espírito está aqui retratada como o peixe em seu fluxo sagrado de aprendizado e realização, de ligação e continuidade, de persistência e renascimento, a que chamei de hieroflow (hieros, do grego = sagrado). Podemos fazê-la de modo fisiológico, burocrático, maquinal, sem noção ou pertencimento, ou de modo mais consciente e apropriado, cientes de nossa realidade maior, de nossas potencialidades intrínsecas e com um propósito definido.

Na parábola do moço rico, de grande simbolismo prático, o Mestre estabelece talvez a condição mais essencial da transcendência:

“– Vai, reparte teus bens com os que sofrem, retorna e segue-me!”

Eis o segredo da viagem de expansão da consciência: a espiral do desapego, do fazer e refazer, fluxo e refluxo, do ir e do retornar cada vez mais leve e livre, em busca do Tao, da transcendência, permitindo que o sagrado, a Providência Divina, se manifeste através de nosso propósito maior, carregando no coração o fogo da transformação (metanoia ou individuação), sob a bandeira do Mestre: o reino dos céus está dentro de vós.

Bem vindos a este espaço de reflexão, integração e interação produtiva.

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