
Vivemos com a sensação de que poderíamos ter feito um pouco mais. Um pouco mais pelos outros, um pouco mais por nós mesmos, um pouco mais pela vida, pela natureza ou por alguma causa social.
Elizabeth Kübbler-Ross, psiquiatra suíça pioneira nos estudos sobre a morte (“Sobre a Morte e o Morrer” – 1969), além de descrever que o enfrentamento da morte envolve períodos progressivos de superação, narra também que uma das características mais marcantes aos milhares de pacientes terminais que entrevistou era que, se lhes fosse dada a oportunidade de recomeçar, fariam muitas coisas de modo totalmente diferente.
Às vezes agimos como se todo o tempo do mundo estivesse ao nosso dispor; em outros, como se já nenhum tempo houvesse. O tempo é um bem precioso. Alguns o consideram o maior tesouro possível. Esteja de sobra ou em falta, usá-lo é uma ciência desafiadora e angustiante. Se o tempo fosse um baú, alguma coisa ficaria de fora. Se fosse a água de uma fonte que escoa, uma parte extravasaria pelos vãos dos dedos. Parece haver, do nascimento até à morte, uma corrida contra o tempo, uma pressão inconsciente, individual e coletiva, para que se tenha todo o tempo um controle sobre o tempo. E por mais ferrenha seja essa corrida, vivemos em busca do tempo perdido.
Marcel Proust, escritor francês, escreveu que “as pessoas querem aprender a nadar e ter um pé no chão ao mesmo tempo”. Esse é o sofrimento da existência, quando regida apenas sob os ponteiros do relógio convencional.
É possível que o tempo de Deus seja medido num relógio diferente. A mitologia grega chamava-o de Kairós. O tempo em potencial, o tempo eterno, imaterial, transcendente, a experiência do momento oportuno. É o tempo da fé, do entendimento e da consolação. É o “quando” estamos atentos e preparados para perceber as boas circunstâncias e ocorrências, sem as pressões do passado e as ansiedades pelo futuro.
Quase sempre esse “tempo interno” de processamento destoa do tempo externo, de minutos, horas e dias; a prontidão interna depende mais deste tempo atemporal, ela acontece pela somatória de elementos às vezes imponderáveis, por mais que estejamos premidos pelo tempo convencional.
Fazer e desfazer para refazer… O aprendizado acumulado no tempo convencional, no Chronos, é gestado no tempo interno, o Kairós. O tempo material desgasta e traz as rugas da ancianidade; o tempo espiritual frutifica a sabedoria da sanidade. Podemos ser agentes em vez de reféns.
Faça o seu melhor hoje! Cultive a paz interna.




Adoro esse blog, matérias extremamente reflexivas!!!! Muito bem escrita e de fácil compreensão.
E nos faz refletir o que de fato estamos fazendo com nosso tempo. Deveríamos aprender a não esperar o fim, para ter ou criar oportunidades..
Parabéns pelos textos ☺️.